Dois módulos de pouso inéditos no mundo, capazes de suportar 1.200 vezes a pressão na superfície da Terra, ajudarão a desvendar um dos maiores mistérios do oceano: de onde vem o oxigênio escuro?
O professor Andrew Sweetman, da Associação Escocesa de Ciências Marinhas (SAMS), causou sensação em 2024 quando sua equipe descobriu nódulos metálicos nas profundezas do oceano que pareciam produzir oxigênio. Esses nódulos, que contêm metais muito procurados, podem esclarecer como a vida animal está distribuída a milhares de metros abaixo das ondas, onde a luz solar não penetra, colocando em questão o entendimento científico predominante de que a produção de oxigênio está ligada à luz solar, por meio de processos como a fotossíntese.
Mas ainda não está claro exatamente como esse oxigênio é produzido na escuridão das profundezas do oceano. A Fundação Nippon financiou um projeto de pesquisa de três anos que reúne o Professor Sweetman, o geobiólogo e veterano das missões Mars Rover, Professor Jeffrey Marlow, da Universidade de Boston, e o renomado químico, Professor Franz M. Geiger, da Universidade Northwestern, para responder a essa pergunta.
Para encontrar a resposta, a equipe de especialistas renomados, conhecida como The Nippon Foundation - Dark Oxygen Research Initiative (DORI), projetou dois módulos de pouso altamente especializados que se assemelham a equipamentos mais comumente associados à exploração espacial. Batizados de Alisa e Kaia, em homenagem às filhas do Professor Sweetman, eles determinarão se os nódulos interagem espontaneamente com a água salgada para gerar eletricidade, se há um processo bioquímico em ação ou se outro fator, ainda desconhecido, está envolvido.
O financiamento da Fundação Nippon inclui a construção dos primeiros módulos de pouso do mundo. Os módulos serão submersos na Zona de Clarion-Clipperton (CCZ), no Oceano Pacífico central, na primavera, com os primeiros resultados esperados ainda este ano. A COI UNESCO endossou o projeto como uma atividade da Década dos Oceanos da ONU.
A equipe de pesquisa submergirá os módulos de pouso, juntamente com um dispositivo conhecido como módulo de pouso de covariância de vórtices aquáticos (AEC, na sigla em inglês), que medirá o fluxo de oxigênio na área para determinar quaisquer padrões na produção de oxigênio e se outros fatores ambientais podem estar envolvidos. Alisa e Kaia coletarão amostras de água, farão medições precisas dos nódulos, introduzirão marcadores químicos e descobrirão se prótons ligados à oxidação da água estão presentes, um diferencial fundamental entre a eletrólise e outros mecanismos potenciais de geração de oxigênio.
(Da esquerda para a direita) Mitsuyuki Unno, da Fundação Nippon; Prof. Franz M. Geiger, da Universidade Northwestern; Prof. Jeffrey Marlow, da Universidade de Boston. Crédito: Weber Shandwick/Fundação Nippon.